sábado, julho 24, 2004

Adeus Carlos Paredes

"Verdes Anos" foram os que Paredes nos deu com a sua música, com a sua mensagem.
Verdadeira alma portuguesa, transplantada para a sua guitarra,
modificada, transformada nas cordas da sua guitarra de Coimbra,
lágrima da alma portuguesa,
e denunciada ao Mundo através do som,
melódico, muitas vezes feito de acordes desafinados e maravilhosos
A saudade perpetuar-se-á na sua música

quinta-feira, julho 22, 2004

As Moradas de Pessoa

1888 Lisboa
Largo de São Carlos n.º 4, 4º Esq.°

1895
Lisboa
Rua de São Marçal n.º 104, 3.º

1896-1901
Durban
Tersilian House, Ridge Road
West Street n.º 157
Bay View Hotel, Musgrave Road

1901
Lisboa
Pedrouços
[uma transversal da antiga Rua Direita n.° desconhecido]

1901-1902
Lisboa
Av. D. Carlos I n.º 109, 3.º Dt.º

1902 (Maio)
Ilha Terceira
Rua da Palha
[actualmente Rua Pe António Cordeiro]

1902-1905
Durban
Tenth Avenue, Perea

1905
Lisboa
Pedrouços
[casa da Tia-Avó Maria Cunha]

1905
Lisboa
Rua de São Bento n.º 19, 2.º Esq.º
[casa da Tia Anica]

1906
Lisboa
Calçada da Estrela n.º 100, 1.°
[com a mãe, o padrasto e os irmãos]

1907
Lisboa
Rua da Bela Vista à Lapa n.º 17, 1.º
[casa da Avó Dionísia e das Tias-Avós maternas]

1907 (Agosto)
Portalegre
Hotel Brito
[poucos dias]

1908
Lisboa
Rua da Glória n.º 4, r/c

1908
Lisboa
Largo do Carmo n.º 18, 1.º

1912
Lisboa
Rua de Passos Manuel n.º 24, 3.º Esq.°
[casa da Tia Anica]

1914
Lisboa
Rua Pascoal de Melo n.º 119, 3.º Dt.°
[casa para onde se muda a Tia Anica até partir para a Suíça]

1915-1916
Lisboa
Rua D. Estefânia n.º 127, r/c Dt.º
[quarto alugado em casa de uma engomadeira]

1916
Lisboa
Rua Antero de Quental
[número desconhecido]

1916
Lisboa
Rua Almirante Barroso n.° 12
[quarto contíguo à Leitaria Alentejana]

1916-1917
Lisboa
Rua Cidade da Horta n.º 48 ou 54, 1.º Esq.°
[dois quartos em casa do Sr. Sengo]

1917-1918
Lisboa
Rua Bernardim Ribeiro n.º11, 1.º

1918
Lisboa
Rua St .º António dos Capuchos
[número desconhecido]

1919-1920
Lisboa
Benfica - Av. Gomes Pereira
[número desconhecido]

1920-1935
Lisboa
Rua Coelho da Rocha n.º 16, 1.º Dt.°

segunda-feira, julho 19, 2004

Poeta castrado, não!

Serei tudo o que disserem
Por inveja ou negação:
Cabeçudo dromedário
Fogueira de exibição
Teorema corolário
Poema de mão em mão
Lãzudo publicitário
Malabarista cabrão.
Serei tudo o que quiserem:
Poeta castrado, não!

Os que entendem como eu
As linhas com que me escrevo
Reconhecem o que é meu
Em tudo quanto lhes devo:
Ternura como já disse
Sempre que faço um poema;
Saudade que se partisse
Me alagaria de pena;
E também uma alegria
Uma coragem serena
Em renegar a poesia
Quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
A força que tem um verso
Reconhecem o que é seu
Quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
-É tão vulgar que nos cansa-
Mas que dizer de uma bala
Num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
-a morte é branda e letal-
Mas que dizer da memória
De uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
O poema dia a dia?
-Um bisturi a crescer
Nas coxas de uma judia;
Um filho que vai nascer
Parido por asfixia?!
-Ah não me venham dizer
Que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
Por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
Falso médico ladrão
Prostituta proxeneta
Espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

                            Ary dos Santos

quinta-feira, julho 15, 2004

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

         Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

         Até Sempre

quarta-feira, julho 14, 2004

Fim

Não é o fim que é interessante, mas os meios para lá chegar

                                                            Georges Braque

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.


                                 Mário de Sá Carneiro